sexta-feira, setembro 28, 2007

Hora do almoço


Minha Hora do Almoço

Tem sido, com frequência bastante rica do ponto de vista filosófico e cultural.

Hoje mesmo conversei francamente sobre a pena de morte, e sobre ditaduras, e sobre liberdades, e direitos individuais, censura, o seu lado bom, o seu lado ruim.

Conversa séria. Argumentos coerentes, mentes razoavelmente bem treinadas na arte de esmiuçar um tema. Espaço para ouvir e para escutar.

Como pode, alguém, antes de qualquer investigação, afirmar que outra pessoa matou alguém? Falar mal de qualquer pessoa, é prejudicá-la para sempre, ainda mais com o alcance e poder de persuasão que tem a mídia.

E é exatamente isso que fazem os programas sensacionalistas de notícias na tv. Não "careço" nem de citar nomes.

A censura sendo discutida do seguinte ponto de vista: Não se pode sair por aí falando qualquer coisa de quem quer que seja. Porque isso é irreversível, prejudica e fere a liberdade do outro.

Essa imprensa não devia ser "processada/penalizada" pelos danos que causa? Crimes como esse não deviam estar previstos no código penal?

Mas a mídia é efêmera, feita pra vender. E isso vende. Acabou. Tá legitimado em nome do business, trabalho, negação do ócio, denúncia, são os verdadeiros policiais do nosso país, zelando pela justiça.

E vamos parando por aqui por causa da política "pocket-info" que já foi excedida aqui.

E porque só temos uma hora de almoço.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Ellsworth Kelly

A Incrível Fábrica de Caralhos



Fala por si.

Diferentes Pontos de Vista


Não tenho nem o que falar, fora pedir encarecidamente que leiam essa matéria que saiu no "Herald Tribune".

Foi escrita por Vaclav Havel, ex-presidente da República Tcheca e atenta para o óbvio, e que nós não enxergamos, quer dizer, muitos de nós.

Enquanto não acabar esse jeito de olhar o mundo, sempre colocando o homem como agente máximo, sujeito supremo, fim e começo de todas as ações, continuaremos caminhando para o nosso fim.

E o planeta sorri.

Aquele mesmo papo: a Matéria é longa, mas, mais longa será a vida do planeta sem seu principal câncer.

O planeta não está em perigo. Nós é que estamos

Vaclav Havel
Em Praga

Nos últimos anos pergunta-se de forma cada vez mais enérgica se as mudanças climáticas globais ocorrem ou não segundo ciclos naturais; até que ponto nós, humanos, contribuímos para tais mudanças; que perigos são provocados por estas e o que pode ser feito para preveni-las.

Estudos científicos demonstram que quaisquer alterações na temperatura e nos ciclos de energia em escala global poderiam significar uma ameaça generalizada para todas as pessoas em todos os continentes.

Também é óbvio, com base nas pesquisas publicadas, que a atividade humana é uma causa de mudança; só que não sabemos qual o tamanho da contribuição específica desta atividade. Mas, é realmente necessário conhecer o tamanho desta relação de causa e efeito com uma precisão que chegue ao último ponto percentual? Ao aguardar por uma precisão incontestável, não estaríamos apenas perdendo tempo, quando poderíamos estar tomando medidas que são relativamente indolores quando comparadas àquelas que teríamos que adotar após mais postergações?

Talvez devêssemos começar a enxergar a nossa estada temporária na Terra como um empréstimo. Não pode haver dúvida de que nas últimas centenas de anos, pelo menos, o mundo euro-americano tem acumulado uma dívida, e que agora outras partes do planeta estão seguindo esse exemplo.

Agora a natureza está fazendo advertências e exigindo que nós não só contenhamos o crescimento da dívida, mas também comecemos a pagá-la. Não há muito sentido em questionar se contraímos um empréstimo excessivo, ou perguntar o que aconteceria se adiássemos o pagamento. Qualquer pessoa que tenha uma hipoteca ou uma dívida bancária pode facilmente imaginar a resposta.

Os efeitos das possíveis alterações climáticas são difíceis de se estimar. O nosso planeta nunca esteve em um patamar de equilíbrio do qual pudesse se afastar devido a determinada influência, humana ou não, para depois, no momento apropriado, retornar ao seu estado original.

O clima não é como uma espécie de pêndulo que retornará à sua posição original após um certo período. Ele evoluiu de maneira turbulenta no decorrer de bilhões de anos rumo a um complexo gigantesco de redes, e de redes no interior de outras redes, nas quais tudo está interligado de diversas formas.

As suas estruturas jamais retornarão precisamente ao estado em que se encontravam há 50 ou 5.000 anos. Elas só sofrerão alteração para um novo estado, que, contanto que a mudança seja reduzida, não implicará necessariamente em qualquer ameaça à vida.

Porém, mudanças de grande magnitude poderiam ter efeitos imprevisíveis no interior do ecossistema global. Em tal caso, teríamos que nos perguntar se a vida humana seria possível. Como ainda prevalece tanta incerteza, é necessária uma grande dose de humildade e circunspecção.

Não podemos iludir a nós mesmos indefinidamente, afirmando que nada está errado e que podemos manter alegremente os nossos estilos de vida consumistas, ignorando as ameaças climáticas e adiando uma solução. Talvez não haja nenhum perigo relativo a qualquer grande catástrofe nos próximos anos ou décadas. Quem sabe? Mas isso não nos desobriga da responsabilidade com relação às gerações futuras.

Não concordo com aqueles cuja reação às possíveis ameaças é alertar contra as restrições às liberdades civis. Caso as previsões de alguns climatologistas se confirmem, as nossas liberdades serão equivalentes àquelas de alguém dependurado no parapeito no vigésimo andar de um edifício.

Vivemos em um mundo conectado em uma única civilização global que abrange diversas áreas civilizacionais. Nos dias de hoje a maioria delas tem uma coisa em comum: a tecnocracia. Prioriza-se tudo que seja calculável, quantificável ou avaliável. Entretanto, este é um conceito bastante materialista, que nos está empurrando em direção a encruzilhadas importantes para a nossa civilização.

Toda vez que reflito sobre os problemas do mundo de hoje, quer estes digam respeito à economia, à sociedade, à cultura, à segurança, à ecologia ou à civilização em geral, sempre acabo me confrontando com a questão moral: que ação é responsável ou aceitável? A ordem moral, a nossa consciência e os direitos humanos - essas são as questões mais importantes no início do terceiro milênio.

Precisamos retornar repetidas vezes às raízes da existência humana e refletir sobre as nossas perspectivas nos séculos vindouros. Temos que analisar tudo com a mente aberta, moderadamente, de uma forma que não seja ideológica e obsessiva, e traduzir o nosso conhecimento em políticas práticas.

Talvez não se trate mais de uma questão de simplesmente implementar tecnologias para economizar energia, mas preponderantemente de introduzir tecnologias ecologicamente limpas, de diversificar os recursos e de não depender de uma única invenção como panacéia.

Também sou cético quanto à possibilidade de que um problema tão complexo quanto a mudança climática possa ser resolvido por um único ramo da ciência. Medidas e regulamentações tecnológicas são importantes, mas igualmente importante é o apoio à educação, ao treinamento ecológico e à ética - uma consciência da semelhança de todos os seres vivos e uma ênfase no compartilhamento de responsabilidades.

Ou atingiremos uma consciência em relação ao nosso lugar no organismo vivo e provedor de vida do nosso planeta, ou correremos o risco de ver a nossa jornada evolucionária retroceder milhares ou até mesmo milhões de anos. É por isso que entendemos essas questão como muito importante, e como um desafio para que nos comportemos responsavelmente e não como arautos do fim do mundo.

O fim do mundo foi antecipado diversas vezes no curso da história e, é claro, nunca chegou. E também não chegará desta vez. Não devemos temer pelo nosso planeta. Ele estava aqui antes de nós, e muito provavelmente continuará aqui depois dos seres humanos. Mas isso não significa que a raça humana não esteja correndo sério risco.

Como resultado dos nossos esforços empreendedores e da nossa irresponsabilidade, o nosso sistema climático pode não deixar um espaço para nós. Se adiarmos as ações, a margem para a tomada de decisões - e, conseqüentemente, para a nossa liberdade individual - poderá ficar bastante reduzida.

* Vaclav Havel é ex-presidente da República Tcheca. Traduzido do tcheco por Gerald Turner.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dica Musical 2


Dica 2 - Give me the seventies - Carlos Jean - trilha Sonora de Lúcia e o sexo (2001).

das coisas hilárias da vida....


Essa foi uma das mais....

Achei no Blog do Juca Kfouri... ainda não vi com o audio, mas quase morri de rir.

Agora falando sério... É uma pena essa situação do Corinthians, um clube tradicional, de enorme expressão no cenário internacional... mphhhh HAHAHUEUHAAUHEAUHEAUEUHAE HIHIHIHIHHIHHHHHHIHIHIHIHI HUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHU KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

DESCULPEM...

Inclusão Digital - Brasil

Com dados da FGV, vejamos esse ranking dos municípios brasileiros e a porcentagem de incluídos digitais.

São Paulo ocupa a décima quinta posição atrás de São Caetano do Sul, Niterói, Santos, Vitória, Florianópolis entre outras.

Destaque para a última cidade da lista, com nome sugestivo, onde apenas 0,2% das pessoas foram consideradas incluidas digitalmente pela FGV: América Dourada - BA

Será que é reflexo, ainda, dos espanhóis?

click aqui para ver o ranking (PDF)

segunda-feira, setembro 24, 2007

Dica Musical 1



dica 1 - Ethanopium - Mulatu Astatke - Trilha Sonora do Broken Flowers com Bill Murray

sexta-feira, setembro 21, 2007

Mapa da Luz


Vale muito a pena ver onde tem luz elétrica no mundo.
O uso sistematizado de energia elétrica é um bom indicativo de regiões mais ou menos desenvolvidas economicamente.

Onde você mora?


Fonte: FGV

Pra onde vamos? Fritjof Capra

Nessa?


Ou nessa?



Vejam esses infográficos retirados do site da Unicamp/FEA

Eles falam mais do que milhões de palavras.

(click com "Shift" para abrir em outra janela)

O que estamos fazendo

Click para aumentar a imagem




O que deveríamos pensar em fazer

Click para aumentar a imagem


quarta-feira, setembro 19, 2007

Amazônia: Assunto batido?


A Amazônia está sendo devastada. Não é de hoje, nem de ontem e infelizmente, deste jeito, será de amanhã, e depois, e depois....

Já falamos demais nisso? Acho que não. Porque não se resolveu nada.

Vejam na íntegra, essa matéria Do Le Monde, publicada no Uol.

Ela é grande, mas tenham paciencia. Se a matéria é grande, a dificuldade em resolver esse problema gravíssimo é maior ainda. E as medidas que precisam ser tomadas são de uma proporção maior ainda.

Chamar de pulmão do mundo é errado? É.

Mas continuar destruindo tudo também é.

Deixar os estrangeiros patentearem os remédios oriundos da mata é prejudicial? É.

Mas queimar a mata com os remédios dentro também é.

A bola da vez é a Soja.

E bolas mais antigas como a Monsanto, Bunge e Cargill, continuam sendo bolas da vez.

E fazendo estrago. E ganhando rios de dinheiro.

Tirou o sapato?


Hoje uma mulher tentou invadir uma arena de sumô, em Tokio, Japão.

Veja a matéria do Terra na íntegra.

Uma bela oportunidade para discutirmos um pouco o papel das mulheres na sociedade japonesa.

No meu ver, foi um grito de desespero, uma tentativa de quebrar as correntes que separam homens e mulheres de forma tão incisiva.

No Japão a separação é bem clara, mas como isso se dá no Brasil?

Estamos mais perto de proporcionar igualdade de oportunidades e valorização para homens e mulheres? E não estou só falando de mercado de trabalho, e família. Estamos no âmbito da participação social de uma forma geral.

Ou aqui o assunto é tão velado que talvez estejamos mais distantes das condições ideais de desenvolvimento para os seres humanos brasileiros?

segunda-feira, setembro 17, 2007

Espaço Cênico

(Foto de cena do espetáculo "João e o pé de feijão" da Cia Circo Mínimo, com Rodrigo Matheus e Ricardo Rodrigues)


Abrindo espaço para o circo!

Não é porque é meu irmão. Não é porque ele é referência na pesquisa de técnicas circenses aplicadas em contextos teatrais.

Não é porque ele ganhou prêmios da crítica e público na França, Austrália, Inglaterra e Escócia, com um dos mais belos espetáculos que já assisti, e que tive o prazer de operar o som, Deadly, a saber.

Não, não é por isso.

É só porque o trabalho que ele vem desenvolvendo aqui no Brasil, é de se tirar o Chapéu.

CEFAC - Centro de Formação Profissional em Artes Circences


O primeiro curso superior em Circo.

Uma salva de palmas para Rodrigo Matheus, Alex Marinho, Alexandre Roit e seus comparsas!

Foquinha Kerlon


Gostaria de saber a opinião de quem se interessa por futebol. Ou de quem não se interessa mas quer palpitar.

Vejam esse vídeo, que mostra o drible aplicado por Kerlon, do Cruzeiro, durante o clássico vencido pela equipe celeste, por 4x3, na quarta feira da semana passada.

Kerlon Foca

O que eu quero saber:

1 - Foi agressão? O lateral coelho mereceu ser expulso de campo?

2 - O lateral Coelho usou de uma atitude antidesportiva?

3 - Coelho merece ser punido?

4 - Os dribles dados por kerlon representam um desrespeito ao adversário, ou são feitos com o intuito prático de alcançar o gol, ou um melhor posicionamento?

Quem quiser veja a matéria do uol: - Kerlon Foca

Para quem quer ver mais "Dribles da Foca" desse jogador que vem sendo chamado de "Novo Ronaldinho" ou de "Seal dribbler".

Vídeos do Kerlon Foca

Bebo & Cigala


Das grandes descobertas dos últimos tempos, essa é a melhor, sem dúvidas e me foi proporcionada pela minha mãe.

Chamam-se Bebo & Cigala

Trata-se de uma dupla incrível, pra quem tem saudade do Buena Vista Social Club, de Cachao e de Ibrahim Ferrer.

Um deles é Pianista, Bebo Valdes, Cubano, nascido em La Habana, arrepia. Pode tocar seu piano sem problemas com ancenstrais e sem deixar cair.

O outro é o que chamamos de "cantaor", Diego Cigala, Madrilenho, tem suas raízes no Flamenco. Sua Voz rouca é carregada de sentimentos. Toca fundo.

Para quem gosta de música bem tocada, feita com mãos e alma, é indispensável.

Atenção para o último disco e DVD, Lágrimas Negras


Bebo & Cigala,

Será que os senhores poderiam vir ao Brasil? Por Favor?

quinta-feira, setembro 13, 2007

Livre



>Lâmpada - Giacomo Balla - 1909<)
>Mercurio passando pelo Sol - Giacomo Balla - 1914<


Livre


Achar que o que se quer

É o mesmo que é bom

Achar o amanhecer

Seis da tarde sangue bom


Cair na ribanceira

Sem ao menos se propor

Achar que lá tá bom

Achar que é assim

Que não tem tempo ruim


Usa a lenha da roseira
Torcendo pra nascer flor





Mas pular na ribanceira

tem que ser por opção

Se sentir que lá tem coisa

Pula mesmo meu irmão


Se eu fosse te dizer

Duas uma sem perdão

Raptava tua cabeça

E deixava o coração


Não que não seja lindo

Viver pássaro pesado

Pra voar bem lá no alto

Precisa de tanta força


Bastava ir pro lado oposto

Implodir não expandir

Ser o mundo de si mesmo

E viver forte emoção


Troca o logos pelo ludo

E dispensa tua razão

Na batalha ali dá tudo

E o poço é mais que fundo


Mas escuta por favor


A fé procura o ouro

Onde não enxerga o olho

Onde vê o coração

Ali “ce” pode ir

Ali. Ali tá bom.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Felipão


Peço.

Vejam esse link.

Espionagem da tv com o felipão.

Que hoje, segundo consta, deu um soco num sérvio . . .

Felipão espionado

A prova do Crime

Um dia eu vou mudar de assunto, eu prometo.


Eu o Joshua e a Lu!


Foto do Show (a foto não é minha, desculpem a falta de foco)

Ah Joshua!



Eu acho que precisaria de uma semana pra saber o que dizer do show do Joshua, ontem no Bourbon Street.

"Hoje eu quero apenas, uma pausa de mil compassos...."

Era um trio. Baixo acústico, bateria e saxofone tenor.

O baterista era negro, baixo e conversava no bar quando chegamos para o segundo set da noite. Passei por ele e senti. Mas não sabia de nada ainda.

O cara quebra, por favor alguém me lembre o nome dele, pois fiquei hipnotizado.

Ele olha pro lado e quebra! Com um piercing na sobrancelha e a boca aberta, saboreando suas divisões precisas do tempo. Não que ele divida o tempo, ele quebra. Ele faz o tempo parar se quiser. Nossa senhora.

O baixista era outra aparição. Branco, alto, podia estar disfarçado entre o público do bourbon. Mas de repente... fez um solo, dois, três ... e tocava, tocava, como quem contava uma prosa. E todos entendiam. Este olhava para baixo, pro baixo, pras cordas. E pro Joshua. Quem mais entendia suas frases e parecia por vezes incrédulo.

Não entendi o seu nome.

E ele. Ah.... Ele.

Alto, magro, mulato de olhos verdes?! Dando joelhadas no ar, como quem não aguenta o groove do que está tocando, sentindo, pensando. Ele pensa? Acho que não, ele vibra ele exala música. Mas parecia compreender cada nuance dos improvisos da sua banda.

Quando de cada solo, ele compartilhava com frases curtas e olhar atento ao músico.

A cada nota, ele mexia o rosto, como sendo estapeado pelo baixo ou pela bateria. Fazia uma cara de dúvida quando era surpeendido por uma sequencia de notas, mas logo depois sorria e parecia dizer: "Ah! Entendi. Você me surpreendeu, mas eu entendi."

O espaço do improviso. O baterista olhava e avisava com o olhar que faria algo diferente, pedindo mais 4 compassos, pois iria fazer algo fora do "script".

Ele olhava e dizia com o olhar: Por quê?

E o Baterista respondia com as mãos, numa sequencia impressionante de notas: Por isso.

E ele dizia: Ah! entendi.

Eles cruzavam os olhos.

Na platéia, meus olhos choravam.

E o baixista não olhava para os dois, coisa de quem domina o que está fazendo e que não se surpreende com pouco. Coisa de quem não se importa se aquela passagem terá 4 ou 16 compassos, ou se vai ser tercinada ou transposta.

Mas estapeava nossa cara, e a do joshua com seu baixo.

O show teve alguns momentos únicos. Primeiro, um solo de bateria cênico, no qual o Joshua tentava penetrar com seu saxofone mas era impedido por mais uma virada do baterista. Foi demais.

Tocou uma do Thelonious Monk.

Depois Soul Dance, no sax soprano. Pára tudo.

Depois, ele tocou uma música muito funkeada, e além de tudo, tocou fazendo percussão com a boca na palheta do sax. Enquanto tocava, marcava o ritmo com a palheta que fazia um som surdo.

Pior pra palheta que quebrou, se soltou, e não queria mais trabalhar. Foi trocada. Ficou longe dele.

Nossa senhora, nem sei mais o que dizer. Mas guardei o melhor para o fim.

Acabou o show, ele fica 10 minutos descansando no camarim e vem para a platéia atender a todos, de uma maneira solicita, educada, simpática, suada.

Tirei uma foto com ele, duas, porque a primeira ficou ruim feita com a câmera de um músico.

Peguei o seu autógrafo, abracei-o (apenas nas fotos) e fui tiéte. Falei com ele, mas não tinha o que falar.

Falei apenas que ele era incrível, que eu não tinha palavras, que tinha sido a coisa mais incrível da minha vida.

Ele sorriu e me olhou no olho.

Sem homosexualismos, eu quase morri ontem.

Entrou para o hall dos melhores shows da minha vida, ao lado do Ibrahim Ferrer, com Buena Vista Social Club e do Terence Blanchard, no mesmo Bourbon Street.

Obrigado Joshua por existir, assim, tão de verdade, tão de perto.

terça-feira, setembro 11, 2007

vazio

hoje estou me sentindo assim, sem nada para dizer, mas já passa.

Vou ficar em silêncio.

Um pouco só.

E esperar algo me tocar.